Júlia Passarini representa o Brasil em uma experiência internacional que reúne jovens de 23 países a bordo de um quebra-gelo movido a energia nuclear. - Imagem: Ilustrativa
Aos 16 anos, a estudante brasileira Júlia Passarini vive uma experiência que vai muito além da rotina escolar. Selecionada entre cerca de 5 mil jovens de 23 países, ela embarcou em uma expedição científica pelo Oceano Ártico, com destino ao Polo Norte.
A viagem faz parte da sétima edição do “Quebra-Gelo do Conhecimento”, programa científico e educacional realizado com apoio da estatal russa Rosatom. A expedição teve início em 4 de agosto de 2026, na cidade de Murmansk, no norte da Rússia.
Durante aproximadamente dez dias, os participantes devem passar pelo Polo Norte geográfico e pela Terra de Francisco José, antes de retornarem ao ponto de partida.
Para conquistar a vaga, Júlia participou de um processo seletivo internacional que reuniu milhares de estudantes. A seleção envolveu atividades relacionadas a ciência, tecnologia e conhecimentos gerais, além da apresentação de um projeto na etapa final.
Antes do embarque, a estudante falou sobre a expectativa de participar da expedição.
“Vou me lembrar deste dia para sempre. Neste momento, são muitas emoções: alegria, ansiedade, entusiasmo e uma enorme vontade de partir logo nessa viagem”, afirmou Júlia em depoimento divulgado pela Rosatom América Latina.
Brasileira desenvolveu projeto sobre tecnologia nuclear
A vaga destinada ao Brasil foi conquistada por Júlia após a apresentação de um trabalho sobre as aplicações da tecnologia nuclear no mundo atual.
O projeto mostrou que o uso dessa tecnologia vai além da produção de energia elétrica. A estudante abordou possibilidades e aplicações em áreas como medicina, pesquisa científica, indústria e preservação ambiental.
A proposta apresentada durante o processo seletivo também serviu para aproximar os participantes de um tema que envolve diferentes setores da ciência e da tecnologia.
Uma sala de aula no meio do Ártico
Apesar de ocorrer em uma região de condições extremas, a expedição não tem apenas caráter de viagem. O objetivo é proporcionar aos estudantes uma experiência prática de aprendizado.
A bordo do quebra-gelo, os jovens participam de palestras, atividades educativas, experimentos e encontros com especialistas. Eles também têm a oportunidade de conhecer o funcionamento da embarcação e entender como esse tipo de navio consegue navegar em áreas cobertas por gelo.
O quebra-gelo utilizado na expedição possui propulsão nuclear, tecnologia empregada pela Rússia em sua frota destinada às operações no Ártico.
De acordo com a Rosatom, a Rússia é atualmente o único país que mantém uma frota de quebra-gelos movidos a energia nuclear.
Para os estudantes, a embarcação acaba funcionando como um laboratório em movimento, permitindo contato direto com profissionais e tecnologias que normalmente seriam conhecidos apenas por meio de livros, aulas e laboratórios.
Polo Norte vira cenário para experiências científicas
A região do Ártico também é utilizada como parte das atividades desenvolvidas durante o programa. Nas edições anteriores, os participantes tiveram contato com projetos relacionados a robótica, exploração espacial, materiais avançados e tecnologia de reatores.
Em 2025, por exemplo, estudantes participaram da construção de modelos simplificados de veículos robóticos e acompanharam testes realizados no Polo Norte em parceria com especialistas da Rosatom e da agência espacial russa Roscosmos.
Os modelos foram utilizados para representar possíveis plataformas destinadas à exploração geológica em ambientes congelados do Sistema Solar.
A experiência busca mostrar aos jovens como conhecimentos científicos desenvolvidos na Terra podem ser aplicados em situações de alta complexidade e até mesmo em futuras missões de exploração espacial.
Seleção reuniu estudantes de 23 países
A edição de 2026 ampliou a participação internacional do projeto. Segundo informações divulgadas pela Rosatom, aproximadamente 5 mil estudantes entre 14 e 16 anos participaram do processo seletivo.
Ao final, foram escolhidos jovens da Rússia e de outros 22 países, entre eles o Brasil.
O programa já realizou seis expedições anteriores e, segundo a organização, mais de 400 estudantes participaram das experiências no Ártico ao longo das edições anteriores.
Agora, Júlia Passarini integra o grupo de jovens que terá a oportunidade de conhecer uma das regiões mais extremas do planeta enquanto participa de atividades voltadas à ciência e à tecnologia.
Por Carina Loiola | Atual News